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Câncer em Animais: Entenda mais sobre o assunto

Câncer em Animais

Atenção e cuidados podem salvar vidas

O câncer é um tema que gera muita apreensão entre os tutores dos pets.  Convidamos o médico veterinário Robson Pasquale, da Oncovet (Curitiba-PR), para falar sobre o tema. Confira:

1) Quais são os tumores e tipos de câncer mais comuns?  

O câncer pode aparecer da ponta do focinho a ponta da cauda, em qualquer região do corpo. Os mais comuns são os tumores de mama, de pele e o linfoma (câncer que afeta os gânglios linfáticos ou tecidos linfoides).

Assim como os humanos, os animais também tendem a desenvolver algum tipo de câncer conforme o avanço da idade, muitas vezes influenciados por fatores hormonais e ambientais, exposição à radiação solar e ao fumo. Alguns tipos de neoplasia maligna têm influência genética, porém na medicina veterinária há poucos estudos sobre isto.

Certas raças também têm maior predisposição a desenvolver o problema, destacando-se o Golden Retriever e o Rottweiler.

2)  Quais os sintomas mais comuns que indicam um possível câncer em animais? Quando o tutor deve procurar um oncologista veterinário?

Os sintomas mais comuns são os visualmente perceptíveis como aumentos de volume na pele, ossos, face e abdômen. Em alguns casos os sintomas são comuns aos de outras doenças como perda de peso, perda de apetite, tosse e sangramentos (nasal e genitálias).

O tutor deve estar atento a qualquer mudança no seu pet, principalmente se perceber um nódulo ou volume aparente. Neste caso, o oncologista veterinário é o profissional mais adequado para realizar o diagnóstico, indicar o tratamento informando riscos e benefícios, informar sobre as probabilidades de resposta ao tratamento, bem como manejar adequadamente o paciente durante o tratamento cirúrgico e/ou clínico e controlar os efeitos colaterais do tratamento.

3) Quais as principais dicas de prevenção para os pets? Quais as novidades nesta área da medicina veterinária?

Para prevenção do câncer de mama e de útero a castração precoce (antes do primeiro cio) é o mais indicado, assim como evitar o uso de anticoncepcionais injetáveis. Exames periódicos de palpação das mamas são necessários para animais que não foram castrados precocemente. Para os demais tumores, prevenção realmente é o diagnóstico precoce. Por isso é importante realizar check ups periódicos com o médico veterinário que acompanha o animal de estimação e estar sempre atento a qualquer aumento de volume ou nódulos na pele. Nunca esperar que um nódulo ou tumor cresça para buscar atendimento. Em raças com maior predisposição, o indicado é realizar a ultrassonografia abdominal periodicamente já no início da geriatria.

A oncologia veterinária é uma especialidade que vem evoluindo rapidamente. Novas formas de tratamentos, novas drogas e novas abordagens são lançadas e publicadas a cada dia. É de suma importância que o profissional esteja sempre atualizado e capacitado para oferecer ao seu paciente o que há de mais moderno.

4) E qual sua opinião sobre o uso de medicamentos manipulados para tratamentos de câncer em animais?

As fórmulas manipuladas são de extrema importância no manejo do paciente oncológico.  Muitos medicamentos são utilizados cronicamente, ou seja, por períodos prolongados, como estimulantes de apetite, analgésicos, anti-inflamatórios e até mesmo alguns quimioterápicos orais. Estas medicações possuem em alguns casos concentrações de difícil ajuste para estes pacientes, que precisam de uma dose certa e adequada ao seu peso.

 

5) Quais os principais desafios da oncologia veterinária?

Os desafios são diversos, sendo os principais o diagnóstico tardio e o estigma da doença, pois normalmente se associa o câncer com morte ou a um tratamento doloroso.

Ao contrário do que se pensa, uma grande maioria dos pacientes diagnosticados precocemente conseguem curar-se com um tratamento adequado ou ao menos podem melhorar sua expectativa e qualidade de vida.

O diagnóstico tardio infelizmente ainda é uma rotina da oncologia veterinária, devido à falta de cuidado do tutor, que busca atendimento quando a doença está avançada ou mesmo pelo medo do sofrimento com a doença, quando a família já passou por alguma experiência familiar.

Aproveite estas dicas, seu pet agradece. E lembre-se: ao menor sintoma consulte um especialista.

Sobre o entrevistado: Dr.Robson Pasquale – Oncovet (Centro do Tratamento de Câncer em Animais)

Formado pela PUC-PR em 2002, atua na área de oncologia desde 2006. Em 2007 realizou um fellowship na Universidade Estadual de Michigan (Internacional Oncology Fellowship) e, em 2013, fez mestrado em Biotecnologia com ênfase em Oncologia pela Universidade Positivo. É professor de oncologia nos cursos de pós-graduação da Equalis e Instituto Qualittas. Frequentemente participa das conferências da Veterinary Cancer Society e da Veterinary Society of Surgical Oncology.

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