A dirofilariose em gatos é uma doença transmitida exclusivamente por mosquitos infectados e pode ser grave quando diagnosticada tardiamente, de acordo com a evolução dos sintomas. Ela atinge principalmente o sistema pulmonar e cardiovascular, e apresenta difícil detecção através dos exames tradicionais, motivo pelo qual a prevenção se torna o melhor tratamento.
O que é a dirofilariose em gatos e como ocorre a transmissão pelo mosquito?
A dirofilariose em gatos é popularmente conhecida como verme do coração, e trata-se de uma doença parasitária causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis. Apesar de ser mais comum em cachorros, a doença também pode acometer gatos, provocando uma inflamação intensa. Mesmo com a presença de poucos vermes, a saúde do felino pode ser gravemente comprometida.
O gato é considerado um hospedeiro atípico da Dirofilaria immitis. Isso significa que o organismo dos felinos não é um local propício para o desenvolvimento do parasita, então eles geralmente não conclui o seu ciclo de vida. Os gatos podem adoecer gravemente, mas dificilmente contribuem para a transmissão na natureza.

A transmissão ocorre somente com a participação do mosquito, ou seja, um gato não transmite a doença para outro gato, nem para cachorros ou seres humanos. Mosquitos hematófagos atuam como vetores do parasita, e podem ser dos gêneros Aedes, Culex e Anopheles. Esses gêneros estão presentes em diversas regiões do país.
O ciclo da dirofilariose em gatos se inicia da seguinte forma:
- Um mosquito pica um animal infectado, e ingere microfilárias. Essas são as formas larvais do parasita, que começam a se desenvolver dentro do mosquito;
- As microfilárias evoluem até atingir o estágio L3, que é a forma infectante. Esse processo leva cerca de 10 a 14 dias;
- As larvas migram para o aparelho bucal do mosquito, que passa a transmitir a doença pela picada.
Assim, ao picar um gato saudável, as larvas ficam depositadas na pele do animal, e começam a penetrar no organismo pela lesão causada pelo inseto. Pode demorar de três a quatro meses após a infecção para que as larvas alcancem o coração e os pulmões.
Quais são os principais sintomas da dirofilariose felina e por que o diagnóstico pode ser difícil?
Os primeiros sintomas da dirofilariose em gatos costumam ser alterações respiratórias, como dificuldade para respirar, respiração acelerada e intolerância ao exercício. A manifestação mais comum é o desenvolvimento da doença respiratória associada ao verme do coração (HARD), que desencadeia uma reação inflamatória intensa. O felino pode apresentar sintomas mesmo que o parasita não tenha atingido a fase adulta.
Outros sintomas incluem:
- Perda de peso progressiva, pela diminuição do apetite;
- Vômito recorrente, sem relação com a alimentação;
- Letargia, fraqueza e desmaios.
A reação inflamatória pode ocorrer rapidamente e de forma intensa, o que provoca a morte súbita do animal mesmo que ele não tenha apresentado sintomas. O diagnóstico da dirofilariose em gatos costuma ser difícil, pois a doença apresenta sintomas semelhantes a outras doenças frequentes, como asma felina, bronquite crônica e pneumonia.
O HARD se manifesta com a reação do sistema imunológico com a chegada das larvas jovens, em uma tentativa de eliminá-las. Essa reação pode causar lesões nas artérias pulmonares e no tecido pulmonar, o que provoca sintomas como tosse persistente e chiado no peito.
Vale destacar também que, ao contrário dos cães, os gatos costumam abrigar poucos vermes adultos. Isso ocorre porque o sistema imunológico felino consegue eliminar boa parte das larvas antes que elas alcancem a fase adulta, o que dificulta a detecção através do teste do antígeno. Assim, o resultado pode indicar um falso negativo e atrasar o tratamento.
Como é feito o diagnóstico da dirofilariose em gatos e quais exames são utilizados?
O diagnóstico da dirofilariose em gatos é multimodal, ou seja, depende da combinação de fatores que incluem avaliação clínica, histórico do animal e exames laboratoriais e de imagem. Nenhum exame, isoladamente, é capaz de confirmar ou excluir completamente a presença da doença.
Os exames mais comuns são:
| Exame | Objetivo |
| Teste de antígeno | Detecta proteínas produzidas por fêmeas adultas de Dirofilaria immitis |
| Teste de anticorpos | Indica se o gato entrou em contato com o parasita |
| Radiografia torácica | Identifica alterações nas artérias pulmonares e no tecido pulmonar |
| Ecocardiograma | Visualiza vermes adultos no coração ou nas artérias pulmonares |
| Exames laboratoriais | Descarta a possibilidade de doenças semelhantes |
A pesquisa de microfilárias costuma ser eficiente para o diagnóstico em cães, mas é muito limitada para a detecção da doença em gatos. Poucos gatos apresentam microfilárias circulantes no sangue, e quando apresentam, elas permanecem por pouquíssimo tempo.
O diagnóstico precoce da dirofilariose em gatos é essencial para evitar complicações clínicas e lesões irreversíveis nos pulmões e no sistema cardiovascular. Ao reconhecer a infecção, medicamentos preventivos devem ser administrados a outros animais da residência, para evitar a incidência.
Quais tratamentos e cuidados podem ser indicados para gatos com dirofilariose?
O tratamento para gatos com dirofilariose costuma ser difícil, pois não há um medicamento considerado seguro e eficiente para os felinos. Quando um verme morre, o organismo dos gatos apresenta uma reação inflamatória intensa, que pode desencadear uma insuficiência respiratória grave ou até mesmo morte súbita.
Dessa forma, o tratamento convencional não é focado na eliminação direta dos vermes, mas sim no controle dos sintomas com o objetivo de diminuir a inflamação e preservar a saúde pulmonar e cardiovascular. O monitoramento clínico é a base do tratamento, pois vermes adultos vivem em média de dois a quatro anos no organismo felino.
O médico veterinário pode incluir medicamentos específicos, como corticosteroides, para reduzir a inflamação pulmonar e aliviar sintomas respiratórios. O uso prolongado pode causar efeitos adversos, então o protocolo precisa ser seguido corretamente para evitar complicações. Na DrogaVET você encontra manipulações veterinárias que facilitam a administração em pets. Conheça agora!
O tratamento de suporte é indicado em casos mais graves, e pode ser realizada sessões de oxigenoterapia, fluidoterapia e uso de medicamentos broncodilatadores e analgésicos. Antibióticos podem ser receitados caso haja infecção bacteriana secundária. Durante o tratamento, é importante reduzir situações que possam causar estresse ao felino, assim como evitar brincadeiras muito intensas.
Como prevenir a dirofilariose em gatos e proteger o pet contra o verme do coração?
A principal forma de prevenir a dirofilariose em gatos é através do uso contínuo de antiparasitários, que atuam na eliminação das larvas antes que elas migrem para as artérias pulmonares e o coração. Os princípios ativos mais utilizados incluem:
- Selamectina;
- Moxidectina;
- Milbemicina oxima;
- Ivermectina.
É importante buscar orientação de um médico veterinário para manter o calendário preventivo sempre em dia, e não usar medicamentos que não sejam indicados para gatos. Ao contrário do que muitos pensam, felinos que vivem exclusivamente dentro de casa também precisam de proteção, pois podem ser infectados com o acesso do mosquito à residência.
Algumas medidas podem reduzir a exposição dos gatos aos mosquitos, e devem ser tomadas principalmente em residências em regiões endêmicas. A proliferação do mosquito é favorecida em climas quentes e úmidos, assim como o desenvolvimento das larvas dentro do vetor. Entre os cuidados recomendados estão:
- Instalação de telas de proteção em janelas;
- Evitar o acúmulo de água parada;
- Manter caixas d’água e reservatórios sempre bem tampados;
- Limpar calhas e ralos periodicamente;
- Eliminar recipientes propícios para criadouros de mosquitos.
Apesar de ser uma doença potencialmente grave, a dirofilariose em gatos pode ser prevenida com o uso regular de antiparasitários e medidas de controle que reduzem significativamente o risco de infecção. É importante que o tutor seja bem orientado em relação à necessidade de proteção contínua dos animais domésticos.
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